lundi 25 juillet 2011

Comprar casa para morar ou alugar pode ser um bom negócio


Mercado imobiliário chegou ao equilíbrio, mas demanda e crédito devem manter preços em leve alta, dizem especialistas

Olívia Alonso, iG São Paulo 25/07/2011 05:32



Em diversas cidades brasileiras, o aumento dos preços dos imóveis virou conversa de bar. “Quando encontrava os amigos, alguém acabava comentando sobre a vontade de mudar de casa ou de comprar um apartamento e reclamava dos preços altos em diversas cidades,” diz a economista Rafaela Laguna, de 30 anos. De fato, os preços de casas e apartamentos subiram em várias regiões do Brasil, puxados principalmente pelo fácil acesso ao crédito e o crescimento econômico do País. Mas, agora que o momento de disparada passou, as perguntas são outras: “Será que os preços vão continuar subinto tanto? Esse é um bom momento para comprar imóveis?”.
Para especialistas, o mercado imobiliário brasileiro chegou a um equilíbrio. “Atingimos patamares de comercialização equilibrados com a situação do País e a níveis de preços equilibrados com o bolso do consumidor,” afirma João Crestana, presidente do Secovi-SP. Depois do forte crescimento do setor em 2010, agora o momento é de acomodação, acrescenta Ricardo Almeida, professor de Finanças do Insper. Segundo ele, isso é resultado dos esforços do governo para a contenção do crédito na economia para o controle da inflação. “Os preços dos imóveis sobem conforme a concessão de crédito,” afirma.
A acomodação do mercado imobiliário não quer dizer, entretanto, que os preços vão cair. Assim, não vale a pena ficar esperando uma bolha para comprar o tão sonhado apartamento. “Quem ficar esperando uma bolha estourar por quatro anos, terá morado mal por quatro anos,” diz Almeida.
Também pode valer a pena, em alguns casos, comprar um segundo imóvel para alugar para terceiros e ter uma renda extra, ou então pensando na aposentadoria, segundo os especilistas. "Muitas pessoas se sentem confortáveis em aplicar em bens tangíveis, como os imóveis, então, nestes casos, pode ser uma boa compra," diz Nélson de Souza, professor de Finanças do Ibmec.

Por outro lado, não é aconselhável comprar imóveis como especulação, com o objetivo de vender e ganhar dinheiro com uma eventual valorização. Na avaliação dos especialistas, há melhores opções de investimento, como por exemplo os fundos imobiliários, títulos doTesouro Direto, ou mesmo ações na bolsa de valores. "A menos que o investidor perceba que há uma boa expectativa de crescimento na região do imóvel, não creio que terá uma valorização muito expressiva," afirma Souza.
A expectativa dos especialistas é que os valores dos imóveis acompanhem a inflação de agora em diante. “Devem subir um pouco acima, como tradicionalmente acontece no mercado de imóveis. Será uma acomodação direcionada para cima,” afirma Crestana.
Preços em leve alta
A queda dos preços não deverá acontecer, segundo os especialistas, porque ainda há crédito disponível, - apesar da desaceleração - a um valor acessível. “É possível tomar dinheiro a uma taxa de juros de 9% ao ano e, ao mesmo tempo, investir parte do capital e obter um rendimento de 10% ao ano,” diz Souza.
Além disso, as construtoras seguem fazendo lançamentos e também há uma grande procura por novas casas. O que deve continuar puxando a demanda, segundo os especialistas, é o “desejo da casa própria”. “Há milhares de famílias brasileiras sedentas por bons imóveis,” diz Almeida. “O sonho de morar bem é prioridade para a maioria dos brasileiros,” acrescenta Crestana.
Segundo o presidente do Secovi-SP, cerca de 80% dos imóveis novos brasileiros valem entre R$ 150 e R$ 300 mil. Nesta faixa, há um enorme deficit habitacional no País, estimado em cerca de 6 milhões de unidades. “Uma parte são pessoas que moram inadequadamente e uma parte em coabitação, que são aquelas que vivem com parentes ou amigos,” diz Crestana.
Os especialistas descartam também que haverá uma grande oferta de imóveis de investidores que tenham comprado apartamentos esperando um ganho com valorização. “Quem compra para investir está no topo da pirâmide. São pessoas que geralmente não têm pressa para vender e, ainda que vendam sem grandes ganhos, de forma alguma caracterizam uma tendência,” diz Crestana. “Em geral, a pessoa física reluta muito para vender um imóvel com prejuízo,” acrescenta Almeida.Além deste deficit, cerca de 1,2 milhão de novas famílias demandam novas residências todos os anos. Como os números são grandes, durante muitos anos ainda haverá um saldo habitacional deficitário no Brasil, segundo os especialistas. “A minha expectativa é que o País consiga fornecer casas para os novos (1,2 milhão) e, aos poucos, cobrir essa falta. Calculo entre 6% e 8% ao ano,” diz Crestana. Assim, serão necessários pelo menos 10 anos para zerar a conta.
Pós-boom
Desde a crise de 2008, o governo passou a adotar práticas de conceder mais crédito. No passado, os bancos estatais facilitaram ainda mais os empréstimos para fins imobiliários, tanto para construtoras, como para compradores, segundo o professor do Insper. “O crédito subiu de algo em torno de 18% [do Produto Interno Bruto – PIB] em 2004 para perto de 45% em 2010,” diz Almeida.
O presidente do Secovi acrescenta que 2010 foi o ano em que as empresas voltaram a oferecer muitos imóveis – depois de terem reduzido as obras e cortado equipes após a crise de 2008. “As famílias voltaram a querer comprar e as empresas, por sua vez, viram que as consequências da crise não seriam tão sérias e voltaram a construir,” diz Crestana.
Em 2011, no entanto, a preocupação com a inflação entrou em cena e a situação mudou. A regra passou a ser a tentativa de desaceleração da economia. “Já estamos vendo um crescimento menor do crédito,” comenta Almeida. O mercado imobiliário refletiu a mudança.
Em São Paulo, por exemplo, o número de vendas de imóveis novos caiu 34,3% nos primeiros cinco meses de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, segundo dados do Secovi-SP. Enquanto isso, o número de lançamentos cresceu apenas 0,8% na mesma comparação.
Regiões
Os especialistas acrescentam que, apesar de ser possível identificar uma tendência de acomodação com leve alta no mercado imobiliário brasileiro, cada região tem suas particularidades. Assim, sempre é possível que investidores encontrem seus “achados”, e consigam comprar imóveis que terão valorizações altíssimas em pouco tempo. "É preciso ver a tendência da cidade, do bairro. Há regiões, como nos Jardins, em São Paulo, em que há vetores de crescimento," diz Souza.
“Em alguns lugares, ainda há espaço para os valores dos imóveis subirem com mais intensidade,” acrescenta. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, vive um momento diferente das outras capitais brasileiras em função dos Jogos Olímpicos de 2016, que acabam causando um alvoroço no mercado, segundo o professor do Ibmec. “Além disso, diversas empresas estão comprando imóveis para seus executivos, o que também contribui para elevar os preços na capital carioca”.
Ao mesmo tempo, também pode acontecer uma queda de preços em algum local. “Em alguma cidade que tenha a economia muito concentrada em alguma atividade específica, por exemplo, é possível que o desaquecimento desta atividade pressione o mercado imobiliário”, diz Almeida, do Insper. Outro exemplo de particularidade é Goiânia. A capital de Goiás teve um processo de valorização imobiliária um pouco mais atrasado e ainda poderá vivenciar uma alta de preços.

lundi 3 janvier 2011

Au Brésil, Dilma Rousseff veut éradiquer la pauvreté

Par Lamia Oualalou
02/01/2011 | Mise à jour : 19:13




Investie ce week-end, elle est la première femme présidente d'un pays à la croissance phénoménale. 

De notre correspondante à Rio de Janeiro
Comme à l'accoutumée, Luiz Inacio Lula da Silva n'a pas caché ses larmes. Le président sortant, qui a remis samedi à Brasília l'écharpe présidentielle à sa dauphine Dilma Rousseff, avait les yeux rouges lorsqu'il a défié les services de sécurité en plongeant dans la foule, qui l'a accueilli au cri de «Lula, guerrier du peuple brésilien !».
Quelques minutes plus tôt, la nouvelle chef d'État avait bousculé le protocole en le raccompagnant à sa voiture, suivie par plusieurs membres du gouvernement. Tous voulaient serrer dans leurs bras celui qui quitte le pouvoir avec une popularité de 87%, du jamais vu dans l'histoire du pays.


Crédits photo : Silvia Izquierdo/AP

En devenant la 40e présidente du Brésil, la sixième depuis le rétablissement de la démocratie en 1985, Dilma Rousseff, pourtant réputée dure, s'est laissée gagner par l'émotion. Celle d'abord d'être la première femme à accéder au plus haut poste de l'État brésilien - elle est arrivée à la cérémonie entourée d'un service de sécurité exclusivement féminin - huit ans après l'élection d'un ouvrier métallurgiste. Dans son discours d'investiture, celle qui fut le bras droit de Lula depuis 2005 a loué son bilan, promettant la «continuité», et revendiquant même l'aide de son charismatique prédécesseur. «Malgré son départ, Lula sera avec nous », a-t-elle lancé à la foule.
Parmi les 37 ministres présentés dans la foulée, dix l'étaient déjà dans le gouvernement sortant, dont Guido Mantega, le titulaire des Finances. La continuité devrait être de mise sur le terrain diplomatique, avec une volonté affichée de discuter avec tous. Dilma Rousseff l'a prouvé en réservant un accueil aussi chaleureux à la secrétaire d'État américaine Hillary Clinton qu'au président vénézuélien Hugo Chavez, bête noire des États-Unis. La France était représentée par le ministre de la Défense, Alain Juppé.
Outre la difficulté de sortir de l'ombre de Lula, Dilma Rousseff doit affronter le défi de maintenir la situation économique très favorable dont elle hérite. La croissance brésilienne a atteint 7,6 % en 2010, la consommation interne explose et le chômage est au plus bas.

« Gouverner pour tous»


Le succès a un revers : le Brésil capte de plus en plus de capitaux étrangers, qu'il s'agisse d'investissements directs (45 milliards de dollars attendus cette année) ou de fonds spéculatifs attirés par une Bourse exubérante et par des taux d'intérêts parmi les plus élevés du monde. Ce flux de devises a pour conséquence de valoriser le real, la monnaie brésilienne, au point de menacer les exportations, en particulier industrielles. Lula accuse les États-Unis et la Chine de favoriser une «guerre des monnaies» dommageable à l'économie brésilienne.
Autre menace découlant du dynamisme économique, l'inflation. Bien que sous contrôle (à 5,4 %), elle reste une préoccupation centrale pour la nouvelle administration. Dilma Rousseff a aussi annoncé son intention de travailler à l'amélioration de la santé et de l'éducation publique, et de continuer à réduire les inégalités dans la huitième économie mondiale. Si trente millions de personnes se sont hissées dans la classe moyenne, il reste encore beaucoup à faire. « Ma lutte la plus obstinée sera l'éradication de la pauvreté extrême», source de «honte», a déclaré la nouvelle présidente devant le Congrès, provoquant une salve d'acclamations : «Dilma, Dilma, Dilma ! ». «Mon engagement est le suivant : honorer les femmes, protéger les plus fragiles, et gouverner pour tous », a résumé l'ex-guérilléra de 63 ans, en dédiant sa victoire à ses compagnons d'armes tombés dans la lutte contre la dictature. À l'aube de son mandat, la nouvelle présidente bénéficie de l'optimisme des Brésiliens : 69 % de la population pensent qu'elle fera un gouvernement «bon» ou «excellent».