Ainda de acordo com Schneider, além dos eventos esportivos, os programas de incentivo ao crédito, com prazos e valores maiores a juros menores, também contribuem para elevar a procura por imóveis na capital fluminense.Já para Antônio Paulo Monnerat, vice-presidente de locações do Secovi Rio, o aumento da segurança em muitos bairros (Flamengo, Copacabana, Tijuca e arredores) é o que reflete a alta dos preços verificada nos últimos 12 meses.
- A valorização vem ocorrendo por conta da consolidação do projeto das UPPs em comunidades da zona sul e do aumento da demanda, que vem acompanhado de oferta ainda tímida. Desde o anúncio da criação das UPPs, o mercado imobiliário da Tijuca e arredores tem se tornado mais atraente. Pesquisa do Secovi Rio revelou que houve alta de até 148,89% nos valores dos aluguéis e de 59,41% nos preços para venda em bairros beneficiados por UPPs na zona sul.
No ranking geral, de acordo com o Secovi Rio, os bairros mais caros do Rio de Janeiro, em outubro de 2010, são Leblon, Ipanema, Lagoa, Gávea, Jardim Botânico, Copacabana, Arpoador, Botafogo, Flamengo, Laranjeiras, todos na zona sul, e Barra da Tijuca, na zona oeste. Veja abaixo mais informações sobre cada um.
Leblon e Ipanema
No topo do ranking, o metro quadrado mais caro no Rio de Janeiro se localiza no Leblon, com custo médio de R$ 11.964. Em segundo lugar está Ipanema, que possui valor médio de R$ 11.392. Se considerarmos os bairros vizinhos ao Leblon (Ipanema e Arpoador), o valor do metro quadrado pode ficar perto de R$ 18.000.
No entanto, está na avenida Vieira Souto (Ipanema) o imóvel com valor mais alto encontrado: R$ 19.683 o metro quadrado, segundo levantamento do Creci (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro).
No Leblon, há oito anos, havia imóveis por R$ 500 mil, mas atualmente é muito raro encontrar qualquer apartamento por menos de R$ 1 milhão. Os preços do aluguel de um apartamento de um quarto no Leblon, no período de um ano, entre setembro de 2009 e setembro de 2010, aumentaram mais de 102%.
O alto valor pedido para os imóveis situados na orla das avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira (Leblon) refletem a falta de novos terrenos para construção e a alta procura, na análise de Antônio Paulo Monnerat, vice-presidente de locações do Secovi Rio.
- No Leblon, além das poucas construções, a demanda é enorme. O bairro ainda é sonho de consumo de muitas pessoas que melhoraram a renda.
Lagoa, Gávea e Jardim Botânico
A tranquilidade e a qualidade de vida da Lagoa valem R$ 14.956 o metro quadrado na região mais valorizada, mas, de acordo com o Secovi Rio, o custo médio fica em R$ 9.101 o metro quadrado. O bairro carioca, às margens da lagoa Rodrigo de Freitas, tem o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) da cidade e concentra uma população bastante homogênea, de alto poder aquisitivo e imóveis que variam de R$ 700 mil a coberturas de R$ 3 milhões.
Ao lado, a Gávea e o Jardim Botânico também não deixam a desejar. O preço médio na região fica em R$ 11.798 (com valor médio de R$ 7.790) e R$ 10.559 (com valor médio de R$ 7.599), respectivamente. Além dos três bairros acima estarem aos pés do Cristo Redentor, o Jardim Botânico e a Gávea atraem moradores jovens com perfil parecido com o da Lagoa, em busca de ambiente mais calmo, longe da movimentação de outros bairros próximos, como Copacabana.
Copacabana e Arpoador
A famosa Copacabana também observa crescimento bastante acentuado nos valores praticados na região e leva a sexta posição no ranking. O valor do metro quadrado na "Princesinha do Mar" chega a R$ 9.669 nos pontos mais caros, com custo médio de R$ 6.902. Além da bela praia, o bairro é conhecido por apresentar o maior índice de população na terceira idade no mundo.
O Arpoador, que se localiza entre o forte de Copacabana e o começo da praia de Ipanema, tem custo médio de R$ 6.782, mas pode alcançar R$ 8,754 na divisa com a avenida Vieira Souto. A região, que já foi lar dos surfistas, apresenta espaço restrito, com cerca de 500 metros.
Botafogo e Flamengo (com Laranjeiras)
Em seguida, Botafogo aparece no levantamento com preço médio do metro quadrado em R$ 6.475, podendo alcançar R$ 7.213. No bairro, a maior variação no aluguel foi registrada para os apartamentos de quatro quartos, que passou de R$ 2.075 em setembro de 2009 para R$ 4.975 em setembro de 2010, alta de 139,76%.
Segundo Álvaro Spezin, sócio do Portal Imóveis de Luxo, a segurança proporcionada pelas UPPs na região contribuiu para aumentar os preços dos imóveis e nos arredores, com destaque para Flamengo, Laranjeiras e Humaitá.
No Flamengo, o preço médio chega a R$ 6.347, muito próximo do patamar de Laranjeiras, onde o metro quadrado alcança R$ 5.918. O mercado imobiliário destes bairros cresce desde 1979, quando o metrô chegou à região.
O perfil dos habitantes se encontra entre 25 e 36 anos, de classe média e média-alta, com alguns apartamentos de alto-luxo situados na avenida de frente para a orla (praia do Flamengo e avenida Rui Barbosa).
Barra da Tijuca
Apesar do alto status, a Barra da Tijuca conquistou a décima colocação no levantamento entre os bairros mais caros do Rio de Janeiro. O metro quadrado médio fica em R$ 5.518, alcançando R$ 8.457 nos lugares mais caros. A explicação é simples. A região é relativamente nova e ainda possui muitos terrenos para expansão. Desde a década de 1990, a Barra cresceu 44%, segundo dados da Ademi Rio (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário).
A visão oficial
O secretário de desenvolvimento do Instituto Pereira Passos, Felipe Góes, afirmou em evento realizado no Palácio da Cidade, em Botafogo, na zona sul, que o alto preço dos imóveis para alugar ou vender na cidade do Rio de Janeiro não preocupa a prefeitura, ao contrário, é sinal de "desenvolvimento".
- Não me preocupa e nem preocupa a prefeitura que o Rio de Janeiro tenha o metro quadrado mais caro do Brasil. O que nos importa é encontrar terrenos disponíveis para viabilizar novas construções, isso sim é o que nós estamos correndo atrás.